Check-up cerebral: a gerência da mente

“A imaginação é mais importante que o conhecimento”
Albert Einstein

No início do século XX, Santiago Ramón y Cajal, médico anatomista espanhol, fez um estudo detalhado sobre o cérebro e concluiu que essa máquina era povoada por células que se comunicavam umas com as outras através de ramificações. Segundo o pesquisador, pareciam aranhas conectadas por múltiplos tentáculos. Cajal chamou essas células de neurônios, e a respeito deles escreveu: “são as misteriosas borboletas da alma, cujo bater de asas poderá algum dia – quem sabe? – esclarecer os segredos da vida mental”. Graças a essa teoria chamada de neuronal, Cajal ganhou o prêmio Nobel de Medicina e o título de pai da Neurociência moderna.
A verdade é que as borboletas bateram mesmo as asas e hoje, século XXI, estão sendo desvendados os labirintos do cérebro. Muito tem sido falado a respeito da neurociência, que é o estudo do sistema nervoso, sua estrutura e funcionamento, nos levando a ousadia de dizer que pesquisas relacionadas ao cérebro caminham para uma posição de liderança em pesquisas. Os avanços foram tamanhos, que hoje podemos saber o que se passa dentro do nosso cérebro quando sentimos medo, raiva, tristeza, alegria, prazer, dor, etc. A neurociência conseguiu unir várias disciplinas como por exemplo a Medicina, Psicologia, Biologia e Linguística, levando-as a compartilhar conhecimentos e experiências.

Antes de algumas conclusões científicas, acreditávamos que após a fase de desenvolvimento do cérebro seria impossível modificar sua estrutura, ou seja, as conexões neurais eram fixas e imutáveis. Mas agora temos uma ótima notícia: descobriram a neuroplasticidade! Mesmo na fase adulta nosso cérebro pode ser modelado e remodelado de acordo com nossas experiências, vivências e expectativas. Se preferir, esculpido! Sim! Como uma verdadeira obra de arte. Como o “Davi” de Michelangelo.

Vale lembrar que nossas experiências são informações que chegam ao nosso sistema nervoso central na forma de estímulos sensoriais, ou seja, daquilo que sentimos, ouvimos, vemos, cheiramos e degustamos. O encéfalo processa essas informações relacionando-as com aspectos ligados aos sentimentos e emoções. Então, quando chega alguma outra informação, são acionadas respostas já registradas pelo encéfalo, e passamos a ter atitudes para essas informações baseados na suposta realidade que foi registrada. Concluindo: as sensações são memorizadas junto com as informações recebidas, podendo ser estimulantes ou saturantes, agradáveis ou desagradáveis, motivadoras ou nostálgicas. Nossas percepções de cores, sons, odores e sabores são criações mentais feitas a partir da experiência sensória, e não registros diretos do mundo ao nosso redor, uma pseudorealidade. A tal suposta realidade que foi armazenada e que será acionada pode ser destrutiva ou construtiva, positiva ou negativa, trazendo novas situações que vão ser cada vez mais agradáveis ou desagradáveis. Isso explica ditos e crenças populares: onde o pobre cada vez fica mais pobre e o rico cada vez mais rico, dinheiro não nasce em árvore, pau que nasce torto nunca se endireita, etc.

Ao sabermos que nossas percepções são formadas internamente a partir de limitações ou aptidões, até quando vamos aceitar uma realidade desagradável? Até quando vamos aceitar essa limitação imposta por nossa própria percepção? Somos dotados de um potencial infinito e dentro de cada um de nós existe a possibilidade de fazer mudanças! Se o cérebro segue um padrão de interpretação de acordo com as conexões neurais que foram programadas, sem mudança nessas conexões ficaremos condicionados aos mesmos padrões e criando novamente as mesmas realidades. Lembremo-nos da neuroplasticidade. Técnicas de reprogramação mental existem, como por exemplo, a PNL – Programação Neolinguística. Podemos influenciar nossa consciência mentalmente, criando novos padrões de pensamentos. Positivos e realizadores é claro. E então? Como vai se comportar daqui pra frente? Quais pensamentos vão colecionar? A escolha é sua. E as consequências também!